quinta-feira, 8 de abril de 2010

HORA DE APAGAR AS VELAS

Jesus introduz uma perspectiva revolucionária capaz de sacudir os alicerces sobre os quais nossa sociedade foi erigida. Ele substitui o antigo mandamento do amor por um novo e subversivo mandamento, onde a referência já não é o amor próprio, mas o amor de Cristo.

O amor próprio nos serviu como uma vela acesa durante uma noite longa e escura. Mas com o raiar do dia, já não faz sentido manter a vela acesa.

É sobre isso que João fala em sua primeira epístola:

“Amados, não vos escrevo novo, mas um mandamento antigo, que desde o princípio tivestes. Este mandamento antigo é a palavra que ouvistes. Contudo vos escrevo novo mandamento, que é verdadeiro nele e em vós, porque as trevas vão passando, e já brilha a verdadeira luz” (1ª João 2:7-8).

O que João diz aqui pode parecer contraditório. Afinal de contas, trata-se de um ‘novo’ ou um ‘antigo’ mandamento? Veja, o mandamento é o mesmo: amar ao próximo. Entretanto, o referencial é que mudou. Em vez de amá-lo como a si mesmo, deve-se amá-lo como Jesus nos amou.

A chegada do novo dia faz desnecessária outra referência de amor que não seja aquela demonstrada na Cruz. Qualquer outra referência é ofuscada pela a maior e mais contundente prova de amor de que se tem notícia. E é este amor que nos constrange para que deixemos de viver para nós mesmos, e vivamos em função d’Ele e do bem-estar dos nossos semelhantes. Paulo diz que “o amor de Cristo nos constrange (...) E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si” (2ª Coríntios 5:14a,15a).

Diferente da luz proporcionada pela vela, que alumia apenas em um pequeno raio, a luz solar é capaz de dissipar todas as trevas, tornando noite em dia.

Quando arrebatados do império das trevas para o reino do Filho do Amor de Deus, somos batizados, imersos em Seu amor. No dizer de Paulo, “o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Romanos 5:5). É um caminho sem volta. O sol que acaba de nascer, jamais se porá novamente. Deixamos de viver para nós mesmos, para viver em função do objeto amado, nesse caso, Deus e nossos semelhantes.

O amor próprio deve ser dissipado. O vento do Espírito deve apagá-lo, para que em seu lugar possa arder o genuíno amor de Deus.

Ora, se deixamos de nos amar, por que razão deveríamos cuidar de nossa saúde, aparência, finanças e tudo o que diz respeito ao nosso bem-estar particular? Será que deveríamos nos tornar pessoas relaxadas? Isso glorificaria a Deus? Não! Absolutamente. Só que agora, nossas motivações são outras.

Deixar de amar a si mesmo para amar a Deus e a seus semelhantes não significa deixar de viver, ou mesmo preferir morrer. O que nos motiva agora é a busca pela glória de Deus e pelo bem comum.

Vejamos o exemplo de Paulo, registrado em sua carta aos Filipenses:

“A minha ardente expectativa e esperança é de em nada ser confundido, mas ter muita coragem para que agora e sempre, Cristo seja engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte. Pois para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Filipenses 1:20-21).

Repare nisso: a única coisa de que Paulo fazia a mais absoluta questão era que Cristo fosse engrandecido através dele, não importava se pela sua vida ou pela sua morte. Paulo não temia a morte. Ela tinha consciência de que a deixar este mundo era lucro.

Ora, se morrer é lucro, por que não devemos todos desejar a morte? Porque não buscamos por lucro. Viver em função daquilo que nos é vantajoso é guiar-se pelo amor próprio, e não pelo amor à Deus e aos nossos semelhantes.

Paulo prossegue em seu raciocínio:

“Mas, se o viver na carne trouxer fruto para a minha obra, não sei então o que deva escolher. Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, o que é muito melhor; mas julgo mais necessário, POR AMOR DE VÓS, permanecer na carne. E, tendo esta confiança, sei que ficarei, e permanecerei com todos vós para o vosso progresso e gozo na fé” (Filipenses 1:22-25).

À luz desta perspectiva, podemos concluir que todo bem que procuramos para nós mesmos, deve ser motivado pelo bem que isso vá causar aos nossos semelhantes.

Por exemplo: sou pai de três lindos filhos. Eu poderia pensar: se não devo amar a minha própria vida, então, por que não posso fumar? Que mal haveria nisso? Isso apressaria minha passagem para o mundo porvir. Porém, pensando assim, eu estaria me suicidando à prestações, e dando um péssimo exemplos aos meus filhos a quem devo amar incondicionalmente. Portanto, é por amor a eles que devo me cuidar. Eles precisam de mim por muito tempo nesta vida.

Se pretendo ficar muito tempo neste mundo, para poder servir aos meus semelhantes, devo me cuidar, praticar exercícios, alimentar-me bem, abandonar qualquer vício prejudicial à saúde, etc.

E quanto à busca por estabilidade financeira? Haveria alguma justificativa plausível à parte do amor próprio? Óbvio que sim! É Paulo quem de novo nos oferece uma razão em linha com o novo mandamento:

“Aquele que furtava, não furte mais, antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o necessitado” (Efésios 4:28).

Eis a razão porque devemos trabalhar e buscar estabilidade financeira: ter o que repartir com quem precisa. Não é pecado ser rico. Pecado é fazer da riqueza um fim em si mesmo. Lembre-se que “o amor do dinheiro é a raiz de todos os males” (1ª Timóteo 6:10a). As coisas estão aí para serem usadas, e não amadas. As pessoas que devem ser amadas! Usemos as coisas para beneficiar as pessoas, e não usemos as pessoas para adquirir as coisas.

Vale aqui a advertência paulina:

“Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas as cosias para delas gozarmos; que façam o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir, que acumulem para si mesmos um bom fundamento para o futuro” (1ª Timóteo 6:17-19a).

Se quisermos garantir um futuro promissor para nós e para o resto da humanidade, temos que mudar nosso paradigma, apagar a vela do amor próprio, e receber com gratidão o raiar do Sol da Justiça e do Amor trazendo o novo dia.

Embora novo dia já tenha raiado, estamos aguardando o momento em que ele atingirá o seu apogeu, o que costumo chama de meio-dia profético, quando já não haverá mais sombras.

Urge despertarmos do nosso sono indolente e aprendermos a praticar o novo mandamento do amor. Não basta dizer que ama, tem que expressar esse amor em gestos e atitudes. Temos que aprender a repartir nosso pão, a viver em função do nosso semelhante, e não em função de nosso aprazimento pessoal.

Trata-se da prática do jejum prescrito em Isaías 58. Quando repartirmos nosso pão com o faminto, recolhermos em casa os sem-teto, vestirmos o nu, e deixarmos de nos esconder do nosso próximo, cumprir-se-á a promessa: “Então romperá a tua luz como a alva (...) se abrires a tua alma ao faminto, e fartares a alma aflita, então a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia” (Isaías 58:8a,10).

O novo dia começou na Cruz, com a maior demonstração de amor de todas as Eras. A Igreja Primitiva vivenciou, durante o tempo de tribulação, a madrugada do novo dia, quando Jesus lhes parecia como a Estrela da Manhã. Somos convidados a vivenciar a alvorada desse Dia chamado Hoje, e aguardar pelo momento em que o Sol se posicionará no centro do Céu, dissipando as sombras, e trazendo avaliação e juízo a todas as obras. Quando isso se der, não apenas nossas obras serão julgadas, mas também as motivações que as produziram.

Por: Hermes C. Fernandes

SÓ A VERDADE NOS LIBERTARÁ

Segundo as escrituras, fomos chamados para inclusão, e não exclusão. Caso contrário, Jesus teria vindo ao mundo com o objetivo de revelar o amor de Deus, pregar boas-novas aos mansos; restaurar os contritos de coração, proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos. (Isaías 61:1).

Infelizmente a mensagem de alguns pregadores tem sido muito mais sobre o pecado e não sobre o perdão; sobre o capeta e não sobre o Salvador; mais inferno do que Céu; mais acusação do que salvação. Pouco se tem ouvido sobre o verdadeiro amor, a verdadeira liberdade e a aceitação do reino de Deus. Parece que não vivem isto!

Há algum tempo atrás recebi um "soco na boca do estômago". Ouvi que um pastor "abençoou" a saída de uma família da sua denominação apenas por que a jovem queria, além do culto de 15 anos, uma festa de confraternização com familiares, parentes e amigos e ele não concordou, disse que deveria ser realizado apenas um culto de gratidão a Deus e só.

É esta a liberdade para a qual Cristo nos chamou? Eu também a reprovaria, caso dispusesse na festa de bebidas alcoólicas ou algum tipo de música mundana! É isso que Jesus quis dizer com "conhecereis a verdade e a verdade vós libertará"? (João 8:32). Parece que quanto mais as pessoas "conhecem" mais presos ficam. Se tornam livres do cigarro, da cachaça, da prostituição, de toda prática imoral visível aos olhos humanos e literalmente se enjaulam nas doutrinas e leis de suas denominações, que na maioria das vezes é o outro evangelho do qual Paulo falou. (Gálatas 1:8,9).

Sem dúvida eu concordo com o culto de agradecimento a Deus. Isso é algo maravilhoso e com certeza tem seu valor espiritual. Mas qual o problema com uma festa de confraternização? Não seria abuso de autoridade julgar uma família inteira e condená-la a ponto de serem convidados a deixarem a igreja do pastor fulano por que querem festejar o aniversário da filha caçula?

Levei outro “soco” quando soube que o pastor alegava cuidado pastoral e que todo esse cuidado era para não correr o risco de escandalizar nenhum irmão. Poxa! Quanta seriedade meu irmão!... Quanta hipocrisia. Quero saber até quando esta espécie de crente vai continuar se escandalizando com o que o que não fere as Escrituras e continuam a aceitar e concordar com facilidade a mentira, a ganância e a sede pelo poder e o abuso deste mesmo poder podre e imoral dentro das igrejas deles? Quanto vale em dinheiro todo esse lixo?

A hora é de socorrermos uns aos outros com seus fardos de erros e pecados, e não de audaciosamente sentarem-se na “cadeira de Moisés” e colocarem jugo sobre jugo nas costas de seus fiéis.

Pelo que entendo, Jesus nos chamou para incluir pessoas, congregar o máximo da almas, e não fazer distinção desse ou daquele por coisas que podem ferir o ego de alguns líderes fajutas. Me admira ver nas Escrituras Jesus começando o seu ministério numa festa de casamento. Na ocasião, não encontrei nenhum versículo em que Ele tivesse dito para aquele casal que deveriam ter feito apenas uma cerimônia religiosa e que o vinho houvera acabado como prova dos pecados deles. Ao contrário dos fariseus antigos que ainda hoje existem, Jesus demonstrou amor e cuidado quando se dispôs a "tirar do sufoco" os organizadores da festa.

Para a difícil tarefa de ensinar é necessário mais que um título de pastor, líder, mestre ou algo desse tipo. Ensinar meu amado leitor, é meu mais difícil do que proibir, do que impor a mão de ferro, mas é o ideal. Por falar em ensinar, ai vai um conselho aos pastores, líderes e afins: ensinem a busca do discernimento pela Palavra; ensinem os crentes a serem como os Bereanos, mas também aprenda a ouvi-los; ensinem a obediência a Deus e o amor pelos perdidos ao invés de proibi-los de viver, carregando-os com fardos que nem vocês se quer tocam com o dedo.

Liberdade não é o mesmo que libertinagem. Precisa ser aprendida pra ser vivida com santidade. Mas não é excluindo pessoas que vamos alcançar um rebanho sadio, muito pelo contrário. O verdadeiro discipulado está em poder mostrar os meus erros sem ser condenado por eles. É ser amado pelo que sou, e não pelos meus acertos. É entender que eu não sou ninguém, não tenho a verdade do mundo em minhas mãos e muito menos posso querer decidir por Deus.